domingo, 21 de março de 2010

CERIMONIAL MÁGICO DE UM BANQUETE LINGÜÍSTICO

APOCALIPSE (Revelação 10,8)

O livrinho doce e amargo – A voz do céu que eu tinha ouvido tornou então a falar-me: “Vai, toma o livrinho aberto da mão do Anjo que está em pé sobre o mar e sobre a terra”. Fui, pois, ao Anjo e lhe pedi que me entregasse o livrinho. Ele então me disse: “Toma-o e devora-o; ele te amargará o estômago, mas em tua boca será doce como o mel”. Tomei o livrinho da mão do Anjo e o devorei: na boca era doce como mel; quando o engoli, porém, meu estômago se tornou amargo”.

História em Quadrões: pinturas de Maurício de Sousa, gibis da Turma da Mônica, Coleção Crianças Famosas, O Menino Maluquinho, Menina Nina, canções de Hélio Ziskind, Sandra Peres, Paulo Tatit, que florescem na TV Cultura premiadas com o Sharp de melhor Música Infantil...
Buscar nessas produções não para tomá-las como exemplo ou parâmetro, mas para refletir sobre aspectos que nos escapam, ver o que está no meio ambiente mas ao mesmo tempo o que poderia estar é fonte inesgotável para se entender melhor que não há como um sujeito se expressar se não tiver uma concepção clara de sua realidade percebida.
A arte estimula a imaginação das crianças para descobrirem o que querem e como querem o seu mundo exterior.
O Ver, o Ouvir e o Ler o mundo ao seu redor para poder falar e escrever sobre ele. A obra de arte tem poder de revelação, é ao mesmo tempo reflexo e espelho, observo-me diante de um Renoir ao mesmo tempo que observo a obra que se entrega à minha contemplação. Aqui o método deixa de ser instrumento em favor dos dircursos científcamento estabelecidos, ou seja, ao abandonar atitudes cristalizadas posso finalmente dirigir-me ao diálogo, ao imaginário.
A comunicação deixa de ser tratada só como presença e substância, mas também como uma incompletude, movimento, pluralidade, um rastro do que se perdeu, uma espécie de presente- ausente . A poesia de Manoel de Barros diz “tem mais presença em mim o que me falta”. A linguagem, o signo, a imagem, o comunicar o objeto, tornar comum, trazer à superfície do social, como fazer isso numa era de implosão de significações, dos sentidos, das validades a longo prazo do saber? resta-nos recomeçar, buscar outros modelos aprisionam os conceitos e impõem limitações. A nova comunicação se pauta pela instabilidade, pelo diálogo entre os diversos saberes, pela quebra de barreiras, ela quer olhar o outro lado, o território misterioso onde se desenvolvem as práticas humanas, a sociabilidade, tornar visível. É importante dar vazão ao impulso, a comunicação é um rastro e como diz Komper, só pode ser rastreado, sentido.
Numa sociedade em que o mal se torna regra e não exceção, num século onde a comunicação é configurada a partir de uma sociedade tecnológica e digital, onde há banalização da violência, fartas imagens de dimensões descomunais, para causar rubor sugiro ao já desenvolvido por Nietzsche - a arte milagra esse percurso. Volto a Manoel de Barros “ quem acumula muita informação perde o condão de advinhar: divinare”.
Num universo telemático o que se encontra é um pensamento imaterial simbólico.O homem é um animal comunicante, o que o leva por romper o isolamento para comunicar-se é antes a exposição da incompletude, da angústia. O cenário agora é não mais conferir a comunicação através de argumentar uma linguagem ideal ou tampouco paradigmas como soluções, teleologia do saber clássico. Comunicação agora é para ser apreendida desde o seu interior e, quando tivermos palavra para algo é porque já o ultrapassamos e as vivências em toda sua amplitude jamais serão captadas integralmente pelo outro, a este resta tão só receber sintomas daquilo que existe por imagens, efúvios e afeto, um relacionamento voluptuoso com os termos corrompendo-os até a quimera.

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